Do Wordpress para o Ghost

No início do ano passado eu ouvi falar de uma nova plataforma para blogs chamada Ghost. A página do projeto no Kickstarter era muito promissora, com protótipos bem elaborados e direto ao ponto. Em maio deste mesmo ano, os fundadores John O'Nolan e Hannah Wolfe alcançaram a meta de £ 25.000. Na verdade, o valor total arrecadado foi quase £ 200.000. O que fez despertar o interesse de milhares.

Nos últimos 5 anos eu trabalhei bastante com Wordpress, tanto a versão .com quanto a .org. O Wordpress começou como uma simples plataforma para blogs, mas ao longo dos muitos anos de ativo desenvolvimento e envolvimento da comunidade, se transformou em uma solução maravilhosa e muito fácil de usar, com dezenas de funcionalidades. Isso também fez com que o Wordpress deixasse de ser apenas uma plataforma de blog e passasse a ser também o gerenciador de conteúdo mais usado no mundo. Por ser escrito em PHP, ainda hoje a linguagem mais usada na web, o Wordpress tem uma comunidade muito ativa, com milhares de plugins e temas desenvolvidos, extendendo ainda mais o seu leque.

Por ter se tornado um gerenciador de conteúdo bem completo, o Wordpress vem com muito mais do que o necessário para o blogueiro comum. O Ghost resgata as origens e como seu próprio slogan diz: it's just a blogging platform.

Primeiras impressões

Nesse blog eu estou usando a versão que eles chamam de source code, ou seja, é preciso instalar e configurar tudo no seu próprio servidor: nginx/Apache, Node JS e todas as dependências do Ghost. Atualmente já existem planos pagos, onde você se cadastra e seu blog já está pronto pra uso, basta escolher um tema. Exatamente como funciona o Wordpress.com.

A instalação é relativamente fácil, assim como a configuração do servidor, no meu caso Amazon EC2. Aconselho a usar o combo nginx + Node (reverse proxy) e adicionar umas pequenas medidas de segurança.

Ao acessar a área administrativa para configurar título, foto de capa etc., o que mais impressiona inicialmente é a velocidade, utilizando apenas 80MB RAM, o carregamento das páginas é muito rápido, principalmente ao editar os posts. Isso é algo que não vejo mais acontecer no Wordpress, onde até mesmo um "Save draft" demora alguns segundos.

Markdown

Essa talvez seja a principal diferença para quem está acostumado com o Wordpress. O bom e velho editor WYSIWYG não existe no Ghost. Quem cuida da edição é o Markdown. Uma simples linguagem de marcação, criada há mais ou menos dez anos e que se tornou extremamente popular nos últimos quatro. Falando de uma forma bem grosseira: é um text-to-HTML. Eu me sinto muito mais confortável utilizando Markdown, mas tenho certeza que meu pai não sentiria o mesmo.

Enfim, acho que tem sido uma boa experiência testar o Ghost. Assim como o Wordpress, o Ghost também é open-source e novas versões saem do forno periódicamente. Vale lembrar que muitas funcionalidades demonstradas no Kickstarter ainda não estão prontas, mas acredito que estarão muito em breve.