Salvador ... Amsterdam

No final de 2009, decidi que iria morar fora do Brasil por uns meses (ideia da minha mãe). Acabei escolhendo Londres como destino, o que fazia bastante sentido, já que minha namorada estava morando lá naquela época.

Cheguei em abril do ano seguinte. 40 dias, 20 emails e 5 entrevistas depois, consegui um emprego como front-end developer numa agência digital. Continuei trabalhando com eles até o final de 2012, mesmo tendo retornado ao Brasil no início de 2011.

O aprendizado e maturidade adquiridos nessa jornada foram muito além do que eu poderia esperar, o que fez valer cada centavo gasto (levando em conta que a conversão real-libra não é das melhores).

Em 2011, já de volta ao Brasil, abri uma agência digital chamada Agência Gira, junto com um amigo. A ideia surgiu ainda em Londres, quando dividíamos um quarto em Marylebone. Nosso principal foco era desenvolvimento cross-device/platform (responsive web design). Trabalhamos em diversos projetos, formamos parcerias e tinhamos clientes felizes.

Em 2013, porém, percebemos que as coisas já não estavam andando como gostaríamos, talvez pela falta de experiência. Enfim, fomos maduros o bastante pra perceber e agir na hora certa. Conversamos bastante, colocamos as cartas na mesa, analisamos as possibilidades e decidimos seguir rumos diferentes. Felizmente, a nossa amizade continuou inabalada :)

Após a experiência em Londres, adquiri uma imensa vontade de trabalhar no exterior, mas a dificuldade em garantir um visto de trabalho, atrapalha substancialmente. Inclusive, a agência digital que trabalhei em Londres tentou conseguir um visto, mas sem sucesso.

Foi exatamente em novembro/dezembro do ano passado que tudo mudou. Logo após o "adeus" da Gira, comecei a procurar por vagas de emprego promissoras em lugares que eu gostaria de morar: EUA, Canadá, Alemanha, Reino Unido e Holanda.

Fui selecionado para participar do processo seletivo de três empresas: Alemanha, Holanda e Reino Unido. Como não havia experiência em entrevistas via Skype, resolvi pedir dicas ao João Cunha, brasileiro que, poucos meses antes, tinha ido pra Dubai pra como front-end dev. Nós apenas havíamos tido um breve contato pelo Facebook.

Enquanto conversávamos pelo Skype, João perguntou se eu tinha interesse em ir pra Dubai. Eu já tinha passado por lá no início de 2010 e realmente a cidade é foda. No dia seguinte enviei meu currículo para o João.

Resumindo, das três empresas na europa, apenas uma estava disposta a arcar com os custos da relocação: Holanda. Participei do processo seletivo da comScore e da empresa em Dubai, simultaneamente, tarefa que me fez ficar pelo menos 4 noites sem dormir. Até que, em uma ensolarada quinta-feira, recebi resposta positiva de ambas as empresas.

Inicialmente, eu não tinha a menor intenção em ir para Dubai, nem mesmo sabia que lá tinha mercado para front-end devs. Mas já que a proposta estava na mesa, muitas dúvidas surgiram. Conversei com diversas pessoas que moraram em Dubai e/ou Amsterdam, o que me ajudou bastante, mas a minha maior dúvida era com relação à qualidade de vida. Umas das pessoas me falou: cara, Dubai é um lugar legal pra morar por no máximo 12-18 meses, as diferenças culturais e religiosas são imensas e podem acabar atrapalhando o processo de adaptação.

Eu não queria me mudar para um local já com um possível prazo de validade. Esse foi o fator crucial para eu decidir morar em Amsterdam e, hoje, posso dizer que não tenho o menor arrependimento.

Aqui é um lugar apaixonante, onde tudo é bem organizado e funciona da melhor maneira possível. Pode-se até dizer que Amsterdam é uma cidade-grande muito pequena, um pouco maior que Brotas :)